“É como olhar no espelho

onde forma e o reflexo se encontram
não sou ele, mas ele é tudo de mim.
(Tôzan Ryokai Daioshô, China, século X)”
.

 

      Os princípios e valores definem a realidade que cada um de nós experimenta; é a verdade que cada um de nós vive que causa e manifesta os sintomas ou distúrbios do corpo (sistema físico). A raiz dos problemas físicos, emocionais e mentais está na atitude interior frente às situações do cotidiano. É a postura da pessoa em relação aos acontecimentos, que determina a sua realidade em todas as áreas da vida. Embora normalmente só procuramos ajuda quando um sintoma doloroso surge, já antes sinais de alerta foram dados. Em suma; a forma como lidamos connosco, com os outros, com os acontecimentos e com Deus, como cada um o concebe e entende, é que cria a realidade que nós mesmos experimentamos.

“Diz-me que mal que te aflige, que eu  digo-te quem és”, dizia um grande mestre.

     Mas não é preciso que uma doença se mostre fisicamente, para ser detetada a área mais frágil e vulnerável do indivíduo. Tudo começa nos princípios com que orientamos a nossa vida. Se não usufruímos de um estado de felicidade e realização, os princípios com que nos orientamos precisam ser revistos e atualizados.

O nosso corpo é um sensor que acusa o modo como lidamos com os acontecimentos

Somos os criadores supremos da nossa realidade. Qualquer tensão, dor ou incómodo, assim como o bem-estar, refletem a forma como interpretamos um acontecimento. Qualquer acontecimento é sempre energia em potência, que podemos decidir reprimir, condensando e guardando, ou seja “tolerar” (stress), ou reagir arrogantemente e lutar contra o que “não queremos” (como que tivéssemos a capacidade de saber o que é melhor). Ou simplesmente aceitar o acontecimento, apesar de não ser o que esperávamos no momento, conscientes que a natureza é sábia e sempre justa e que a vida nos dá sempre o que precisamos para o nosso bem-estar e realização.  Tanto a primeira decisão (tolerar) como a segunda (reagir), demonstram que não estamos acordados (conscientes). Estes tipos de decisões criam e acumulam zanga, ressentimentos, culpa, medos, desconfiança, enfim…, insegurança, refletida no nosso corpo físico em dores tensões incómodas.

  A tendência é encobrirmos essas tensões (stress) e incómodos com algo externo (analgésicos). Não importa se o analgésico é o psicólogo, o psiquiatra, o médico de clínica geral, o massagista, ginásio, caminhadas, tirar férias ou a febre de sexta feira a noite etc. …

Se continuarmos a anestesiarmo-nos, ignorando os apelos do nosso corpo à mudança, surge o que o que a indústria instituída pelo sistema, chama de “doença crónica”.

  Apesar de parecer uma visão simples de como uma doença se instala, não é uma visão imatura ou irresponsável, bem pelo contrário.

Tudo começa pelo pensamento que gera o sentimento, que por sua vez gera a emoção (energia). A energia é a matéria amorfa com que tudo é criado.

Como se processa?

 Cada parte do nosso corpo reflete uma emoção. Todas as alterações metabólicas do organismo têm origem na resistência ao fluxo (desequilíbrio emocional). Vivemos mergulhados num ambiente turbulento de mudança. As mudanças são feitas a uma velocidade estonteante, difícil de acompanhar, deixando-nos muitas das vezes inseguros.

A forma como nós nos vemos e vemos o mundo cria a nossa realidade. De acordo com as reações emocionais, mantemos a saúde ou criamos as doenças.

Tudo o que acontece na nossa realidade, seja em nossa casa, seja no ambiente de trabalho, seja no resto do mundo, está ligado a padrões de comportamento desenvolvidos ao longo da nossa vida. É importante ganhar consciência deste facto e trabalhar a auto-observação, de forma a perceber (ter consciência) as nossas ações reativas impróprias e substituí-las por ações proactivas, com que entramos no processo e fluxo da vida em abundância. 

É urgente aceitarmos a verdade que somos os criadores da nossa realidade

Ainda temos como verdade que a idade deteriora o organismo e que a doença é uma coisa natural. Mas se ampliarmos um pouco a consciência, e aceitarmos a nossa essência divina, vemos que Deus não envelhece ou se deteriora, e que se a doença fizesse parte da essência divina, nada nem ninguém a poderia curar, recuperar. Então em que é que ficamos?

“Assim na terra como no céu”

“O que está dentro reflete o ambiente externo, assim como no nosso corpo, em forma de saúde e vitalidade”

É preciso ganhar consciência da nossa essência divina e do poder divino herdado à nascença. Libertarmo-nos dos preconceitos limitadores separatistas e agirmos de forma proativa com o todo, aperfeiçoando o nosso desempenho na vida e expressar o poder divino latente em cada um de nós.

Deste modo, ao adquirirmos a consciência que uma disfunção do organismo físico, ou a existência de acontecimentos desagradáveis na nossa realidade, são um reflexo do nosso mundo interior, ficamos na posse de um importante recurso para a reorganização do nosso mundo interno.  

Conscientes de que é o padrão interno que desencadeia a realidade externa, desde a doença no corpo, à doença em qualquer área da nossa vida, teremos à disposição um importante meio para em primeiro nos ajudarmos e depois ajudarmos os outros.

Como funciona na realidade física

O funcionamento normal do corpo (organismo) que cada um de nós habita depende do bom funcionamento dos triliões de células que o compõem. Para que cada célula desempenhe a sua missão, necessita de estar conectada e em harmonia com todo o organismo e ser abastecida de oxigénio e de substâncias nutritivas.

Como não se podem deslocar até ao centro de informação e abastecimento, as células dependem de um sistema de comunicação e abastecimento: o sistema circulatório.

Sistema Circulatório ou Cardiovascular

O sangue como meio de comunicação e abastecimento

As veias, artérias e vasos capilares são as vias pelas quais chegam às células toda a informação e alimentos necessários. O sangue é o meio de transporte das substâncias nutritivas e da informação que necessária a desempenhar harmoniosamente a sua função orgânica. A informação e fornecimento de todas as células do corpo representa uma tarefa complexa, não só pela extensão dos tecidos a irrigar, mas principalmente pela deficiente informação.

Calculou-se que a superfície dos tecidos do corpo humano estendidos teria uma extensão de 200 hectares, superfície equivalente à de 300 campos de futebol. A compreensão torna-se muito mais complexa, uma vez que o comprimento dos vasos disponíveis para a irrigação, alinhados em fila, atingiria 100 000 km e a quantidade de sangue atinge apenas 6 a 7 litros.

A saúde do organismo depende de uma boa comunicação

Para que a irrigação e, por conseguinte, a informação e nutrição de todos os tecidos orgânicos possa efetuar-se corretamente, o sangue deve atravessar toda a rede de canais do sistema circulatório de maneira rápida e constante. A mais pequena falta de informação e fornecimento, compromete o bom funcionamento da célula e põem em perigo uma parte dos tecidos. A menor interrupção é fatal para as células, privadas de informação e abastecimento.

Coração central de comunicação e abastecimento

Alegria de viver. O coração é o órgão incumbido para assegurar a alegria de viver (circulação do sangue). É a bomba indispensável que mantém em constante movimento a massa sanguínea, propulsionando-a através de toda a rede de vasos do sistema circulatório. O seu poder de ação revela-se pelo facto de que o sangue não gasta mais do que um minuto para dar a volta ao organismo, o que corresponde a um caudal de 6 litros por minuto, quer dizer, 9000 litros de sangue por dia. Além disso, a pressão com que o músculo cardíaco projeta o sangue para as artérias permitiria obter um jato com uma altura de 1,70 metros!

Como a informação e o abastecimento das células pelo sangue não deve ser interrompido, o coração bate incansavelmente, noite e dia, concedendo-se apenas uma fração de segundo entre cada contração. Deste modo, é capaz de distribuir o líquido alimentar e a informação – o sangue – a cada célula do nosso corpo, por vezes durante um século ou mais. Para manter o sangue em movimento, o coração é ajudado pelos próprios vasos sanguíneos.

Compreender como adoece o sistema circulatório

Quer se trate das artérias ou das veias que levam o sangue de um lado para o outro do corpo, quer dos finos capilares que penetram nas profundidades dos tecidos até junto das células, estes vasos não são canais rígidos e inertes. Todos eles possuem nas suas paredes músculos que aumentam ou diminuem o seu diâmetro. A alternância das dilatações e das contrações dos vasos que aspiram e expulsam o sangue auxilia muito a circulação de alimento e informação.

A elasticidade das paredes vasculares é primordial já que permite que os vasos auxiliem o coração no seu trabalho. O coração e os vasos desempenham um papel essencial no organismo, na medida em que fazem circular o sangue, que é a seiva do corpo humano. O sangue contém todas as informações e substâncias nutritivas necessárias para a construção e funcionamento das células – por exemplo, os aminoácidos, os minerais e as vitaminas. Também transporta o oxigénio indispensável à respiração celular e a informação capital. A sua função consiste em libertar as células de todas as toxinas que produzem no decurso da sua atividade, levando-as até aos órgãos excretores para serem eliminadas. Quando a circulação sanguínea se processa mais lentamente, as células ficam rapidamente subalimentadas e suboxigenadas, sem saber o que fazer. Sem informação, oxigénio e alimento intoxicam, mergulhadas nos próprios resíduos, não realizando as suas funções. Uma interrupção localizada da circulação afeta apenas um grupo de células e limita-se a destruir unicamente um tecido de um órgão. Se a destruição afetar um órgão vital, ou se a interrupção da circulação for geral, provocará a morte do próprio indivíduo. Esta dependência do sistema circulatório, por parte de todos os órgãos do corpo, para o bom funcionamento e para a sua sobrevivência, demonstra bem a gravidade dos problemas cardiovasculares, que privam o resto do corpo de todas as possibilidades de desfrutar de uma boa saúde.

Para tudo há uma causa

Enfim…, o sistema circulatório engloba a comunicação entre si de um universo de triliões de células. A alegria de viver e o bom funcionamento do organismo depende da boa comunicação entre si.

Do mesmo modo que o sangue transporta os nutrientes e oxigénio para o organismo, também transporta o pedido de cada célula, e a informação que a célula necessita para desempenhar o seu serviço na perfeição. Não bastando isso, o sangue também leva a cada célula a informação do que se passa na realidade exterior, depois de ter sido assimilada pelos sentidos.

Sangue é Vida, é alegria! Todas as células do organismo estão em permanente contacto com o sangue que transporta a alegria de viver, juntamente com a abundância de tudo que necessitam.

Porque é que existem doenças dolorosas e pessoas tristes em sofrimento?

É falado em todos os textos várias vezes que a causa está no paradigma que domina a consciência coletiva. Enquanto o velho paradigma dualista, materialista, separatista, não for superado pelo novo paradigma espiritual, unicista, abrangente, estamos em constante estado de alerta, e os mais distraídos ou adormecidos, entram constantemente no sofrimento.

De nada adianta negar o que acontece na nossa realidade, por mais desagradável que ela pareça. Aceitar, consciente que nada é o que parece, e que a vida é sábia e justa, harmoniza a compreensão, e amplia a consciência, que nos dá condições de agir de uma forma proativa na situação. Se assim fizermos, evitamos que a situação nos prejudique diretamente.

 A negação ou resistência às situações que nos chegam a cada momento, cria Stress e consequências desastrosas, tanto fisicamente com o envolvimento de todas as células no processo, como em todas as áreas da nossa vida.

Se optamos por uma postura de tolerância/desinteresse aos assuntos menos agradáveis, a situação pode se tornar caótica. É uma espécie de eutanásia lenta, ou processo ativo de autodestruição, não identificável. Da mesma forma, quando tentamos fugir àquilo que está a acontecer na nossa vida, permanecemos expostos aos perigos e não fazemos para transformar a crise numa bênção.

Aceitar não significa concordar ou compactuar com uma situação ou coisa que não podemos mudar. Ter serenidade para aceitar o que não temos poder de mudar, além de ser uma ação inteligente, dá-nos a energia necessária para transformar uma crise numa bênção. Esta é a atitude mais saudável para o sistema circulatório.

Para uma vida de qualidade, isenta de doenças, é necessário estar em estado de aceitação. Só assim alimentaremos a alegria e a realização pessoal.  Se pelo contrário recusarmos admitir o que está a acontecer, na nossa realidade, bloqueamos, criando bloqueios no sistema circulatório.

Ao paralisar diante dos acontecimentos que a vida nos coloca, estagnamos os fluídos linfáticos e asfixiamos as células, além de bloquearmos o nosso potencial realizador.

Na verdade, o nosso sistema circulatório ou sistema cardiovascular, que alimenta todas as células do organismo, e de onde todos os órgãos dependem, reflete a forma de como estamos fluindo na vida.

Assim podemos concluir que: um estado de aceitação resulta em pró ação, fluindo através dos acontecimentos diários, originando alegria, realização pessoal, e saúde física.

Enquanto que o estado de negação (reativo) cria o fracasso e somatiza complicações circulatórias. 

Continuação no próximo

Coloque as suas questões nos comentários.

António Fernandes

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