Nos anos 30 foi diagnosticado um cancro da garganta ao meu avô.

Á luz da ciência da época, um grande especialista comunicou à minha avó: “O seu marido está a chegar ao fim.”

No entanto, o médico de família, que havia acompanhado a evolução deste homem integrado no seu meio de vida, acreditava que ele acabaria por se desenvencilhar. Pensava ele que, depois de ter “corroído” toda a garganta, o cancro acabaria por se deter, por falta de opositor. Como único tratamento, disse ao seu doente para tomar duas aspirinas antes de comer, por forma a permitir-lhe engolir a comida, e vinha visitá-lo uma vez por semana para o apoiar psicologicamente.

E o médico de família é que tinha razão!

O meu avô acabaria por falecer apenas 35 anos mais tarde devido a uma outra doença que não o cancro e sem ter experimentado a mínima recaída. Este tipo de caso – que está longe de ser uma exceção – vem demonstrar as limitações dos especialistas, por muito competentes que eles sejam. Além disso, prova que existem mecanismos ocultos para a cura. Vias que carecem ainda de uma delimitação conveniente para que possam ser percorridas por cada vez mais pessoas.

 Este é, aliás, o objetivo essencial da presente obra: explicar ao leitor como curar-se mais depressa … ou, simplesmente, como curar-se.

O maior segredo da medicina

Diversos fatores podem explicar a cura excecional que acabámos de relatar. Mas um deles desempenhou um papel particularmente decisivo: o doente e o seu médico acreditaram firmemente que “o corpo é o melhor médico “.

Nessa época tratava-se essencialmente de uma forma de sabedoria intuitiva, já que a medicina psicossomática estava então a dar apenas os primeiros passos. Porém, os trabalhos mais recentes sobre a relação entre o corpo e o espírito permitem provar, cada vez mais, que:

 A VERDADEIRA RAZÃO DA CURA NÃO RESIDE NEM NOS MEDICAMENTOS NEM EM OUTROS TRATAMENTOS CONVENCIONAIS (CIRURGIA, ETC.)

Ê o seu corpo que se cura por si próprio — quer utilize, ou não, eventuais ‘colaboradores” exteriores.

Na realidade, o objetivo oculto de qualquer medicina – seja ela oficial ou mesmo alternativa ou natural – é apenas despertar, para depois, “acompanhar” este poder de auto-cura inato que reside, adormecido, dentro do nosso corpo.

Alguém questionava o Dr. Albert Schweitzer acerca das relações que este mantinha com o curandeiro local, ao que este célebre médico da selva africana (e prémio Nobel da paz) respondeu:

“Está-me a pedir que lhe divulgue o maior segredo da medicina desde Hipócrates. Mas eu vou, mesmo assim, fazê-lo. O curandeiro e eu fazemos o mesmo trabalho: isto é, despertar o médico interior que existe no doente. Afinal de contas, é este médico interior que faz todo o trabalho.” Este médico interior – por outras palavras, o seu poder de auto-cura – só quer trabalhar para si. A tempo inteiro. E de forma totalmente grátis!

Além disso, o seu médico interior dispõe de capacidades fora do comum que lhe permitirão:

• acelerar a sua cura natural, ampliando consideravelmente os efeitos do tratamento convencional ou alternativo;

• curar o doente, nos casos em que a medicina convencional não consegue curá-lo. Aqui está uma grande verdade que o seu médico “exterior” não gostará, talvez, de admitir imediatamente – possivelmente apenas porque ele mesmo o ignora.

É o que acontece com muitos especialistas que examinam e tratam apenas uma “parte” do seu doente! Existem, felizmente, exceções que confirmam a regra.

Como o cirurgião e oncologista Bernie Siegel:

“Como a maior parte dos médicos, tenho de me habituar à ideia de que a minha tarefa é apenas facilitar a cura e não sou eu que curo – um motivo frequente de confusão para os médicos. E preciso acrescentar que muitos médicos de família admitem a existência deste médico misterioso, uma vez que conhecem bem os seus doentes e a sua forma de vida.

Assim, longe de desconfiarem dele como se se tratasse de um perigoso concorrente, conseguem ver nele um colaborador de primeira importância. Melhor ainda, colocam-se humildemente ao seu serviço – como fizeram o Dr Albert Schweitzer o velho médico de família de que falámos anteriormente!

Ao aprender também a trabalhar em estreita colaboração com o seu médico interior, o leitor saberá como curar mais rapidamente não só os mil e um pequenos problemas de saúde do dia a dia, mas também as doenças mais graves.

Da cura excecional…

Este médico interior está na origem de todas aquelas curas que habitualmente classificamos como “milagres”, mas que, na verdade, não são mais do que simples “curas excecionais”. Como iremos ver, a investigação demonstra, cada vez mais, que existem certos denominadores comuns por detrás de tais curas, que desafiam as estatísticas e os prognósticos negativos da medicina oficial.

Irá assim travar conhecimento com o fator X e aquilo a que chamamos a personalidade do sobrevivente.

Assim, iremos, por exemplo explicar:

  • Como a imaginação pode tornar a pessoa doente … ou curá-la. —* O que se deve fazer quando o médico nos comunica uma “má notícia”.
  • Porque deve atrever-se a ter ilusões… que curam – ou mesmo atrever-se a acreditar que pode curar-se.
  • Porque é importante ser criativo, audacioso … ou até desobediente, se quer verdadeiramente, curar-se de uma doença grave.
  • De que maneira a sua casa pode fazê-lo ficar doente ou impedi-lo de se curar.
  •  Como fazer do seu quarto de hospital um “templo de saúde “, maximizar o efeito de uma operação e sair o mais depressa possível do hospital.

E, mais importante ainda:

– Vamos mostrar-lhe como o seu médico interior atua a diferentes níveis. Porque ele pode não só facilitar a cura, como também prevenir as doenças e até avisá-lo de que uma doença está em desenvolvimento dentro de si. Explicar-lhe-emos ainda como não impedir este médico interior de “trabalhar”, observando algumas regras muito simples.

… à cura total

Abordaremos igualmente um fenómeno que poderá parecer-lhe surpreendente: a doença representa, por vezes, a “via real” para a SUPERSAÚDE!

Trata-se então de um aspeto muitas vezes negligenciado pela medicina: não basta apenas curar a doença do corpo.

É preciso também curar a alma que “expressou” o seu mal profundo através de sintomas bem físicos. Verá como as doenças graves raramente são fruto do acaso, possuindo antes um sentido oculto. Poderá, nomeadamente, tratar-se de um grave conflito emocional que tenta inconscientemente solucionar através da doença. (Ver a Chave n° 3.)

Ao compreender a natureza deste conflito emocional, estará a acelerar consideravelmente o processo de cura, tanto mais quanto souber assim “exatamente o que fazer” para se curar… Deste modo aprenderá a procurar a cura total da sua doença – e não simplesmente adormecer os respetivos sintomas!

Como alimentar o fogo purificador da auto-cura

Para se curar mais depressa, ou simplesmente para se curar, é preciso dispor daquilo a que Norman Cousins chamou “vontade de se curar”.

Podemos igualmente falar da importância da “paixão pela cura”. E quem diz “paixão” diz “fogo sagrado”. Com efeito, poderíamos comparar a sua força de auto-cura a um fogo interior que “queima” as doenças potenciais e presentes. É também um fogo que: – o “ilumina” sobre o sentido oculto do seu aparecimento; – lhe aquece o coração, ao dar-lhe a certeza absoluta de cura (muito importante!).

No entanto, como acontece com qualquer fogo que se preze, deve aprender a tratar dele corretamente, de modo a permitir-lhe efetuar o seu trabalho. É provável que, neste momento, tal fogo purificador se reduza apenas a umas quantas brasas escondidas sob um espesso monte de cinzas. Mas pode ter a certeza de que ele está lá; caso contrário não poderia estar agora a ler estas linhas!

Na 1ª parte da presente obra irá descobrir as 9 Chaves que lhe permitirão utilizar o seu poder de auto-cura, em todo o seu potencial.

Aprenderá, nomeadamente:

—• Qual a natureza deste fogo misterioso, o que ele pode fazer por si. como ativá-lo, como deve proceder para não o abafar. Veja as Chaves n° 1 c 2

—> Porque é que este fogo arde mal ou se mantém adormecido: veja a C n° 3. (Esta chave é particularmente importante para as pessoas que sofrem problemas graves e que têm pouca ou nenhuma esperança de cura.)

—> Como eliminar as “cinzas”, “a humidade” e tudo o que impede o fogo da auto-cura de queimar integralmente qualquer vestígio da doença. Veja a Chave n°4.

—> Porque tem receio deste fogo e não ousa utilizá-lo no seu pleno potencial. (Este é, aliás, um reflexo extraordinário, mas existem meios para se ver livre dele!) Veja a Chave n° 5.

—> Como alimentar este fogo com a melhor madeira que existe. Veja as Chaves n° 6 e 7.

 —> Como utilizar certas abordagens alternativas ou mesmo convencionais para “atear” bem o fogo da auto-cura. Veja as Chaves n° 8 e 9.

Na Chave n° 8, iremos ainda explicar-lhe como:

– beneficiar ao máximo das vantagens do sistema de saúde;

 – evitar as suas armadilhas e precaver-se contra os erros médicos e infelizmente, muito mais frequentes do que se possa pensar!).

Por fim, na 2ª parte, poderá encontrar um glossário que lhe vai permitir aplicar estas 9 Chaves às doenças mais comuns.

Para isso, o glossário propõe-lhe igualmente uma extraordinária gama de remédios que irão ajudar o seu médico interior no seu trabalho de auto-cura.

Não se esqueça: curar-se mais depressa é possível!

Robert Dehin e Jocelyne Aubry

Do livro: O factor X – Como curar-se mais depressa –

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